Vírus descoberto pelo Kaspersky Lab é usado na guerra virtual
As especulações de que Estados Unidos e Israel poderiam estar por
trás do poderosíssimo vírus de computador Flame, descoberto pela empresa
russa Kaspersky Lab, levaram o governo israelense a reagir. Em
entrevista concedida à Rádio do Exército de Israel, o ministro
israelense de Assuntos Estratégicos, Moshe Ya'alon, justificou o uso de
poderosos vírus de computador como o Flame para conter a ameaça nuclear
iraniana. O Ministro Ya'alon afirmou que “a utilização desse vírus é
justificável para quem acredita que o Irã representa uma ameaça
significativa”.
Moshe Ya'alon disse ainda que "Israel é líder em
novas tecnologias e suas ferramentas oferecem todos os tipos de
possibilidades". A companhia russa produtora de programas antivírus
Kaspersky Lab anunciou no início da semana ter identificado um vírus com
potencial destrutivo sem precedentes, chamado Flame, e usado como uma
"ciberarma" contra vários países, entre eles, o Irã.
Em comunicado
oficial, a empresa russa afirmou que "a complexidade e a funcionalidade
do programa de vírus recentemente detectado são muito superiores aos de
todas as ameaças cibernéticas conhecidas hoje". Segundo a Kaspersky, o
Flame é "vinte vezes mais poderoso do que o Stuxnet", um vírus detectado
em 2010 e usado contra o programa nuclear iraniano. Para a empresa
russa, “o Flame é capaz de roubar informações importantes contidas em
computadores, sistemas de informação, documentos arquivados, contatos,
usuários e até mesmo gravações de áudio".
Informações divulgadas
por vários órgãos da mídia ocidental dão conta de que o Flame foi usado
para atacar o Ministério do Petróleo iraniano e o principal terminal de
petróleo daquele país.
A Kaspersky deu mais uma contribuição a
essas informações, afirmando que "as descobertas preliminares indicam
que o código malicioso foi liberado há mais de dois anos, em março de
2010".
O vírus é descrito como extenso, tendo cerca de 20MB de
tamanho, e "pode levar vários anos para ser analisado", segundo a
Kaspersky. A praga tem diversos "módulos", cada um deles com uma função
específica, que pode ser o roubo de dados ou a contaminação de outros
sistemas, que pode ocorrer por meio de drives USB e, possivelmente, por
compartilhamentos de rede.
Um dos módulos "menores", segundo a McAfee, tem mais de 70 mil linhas de código.
O roubo de dados pode ocorrer por meio de capturas de tela
(screenshots), ativadas só quando janelas específicas estão na tela –
como uma conversa de mensagem instantânea ou programa de e-mail. A praga
também consegue ativar um microfone ligado ao computador, gravar as
conversas, compactá-las e enviar aos responsáveis que, segundo a
Kaspersky, usam 80 endereços de internet diferentes para comandar a
praga.
Ataque silencioso
A estimativa mais conservadora é a de que o Flame estaria ativo desde
agosto de 2010 e, até hoje, não havia sido detectado por nenhum
antivírus. As datas dos arquivos usados foram todas trocadas, indicando
anos falsos, como 1993 ou 1995.
De acordo com o laboratório Crysis, há indícios de que o vírus estaria
ativo já em 2007. Os alvos são bastante específicos – ou seja, não
haveria interesse, por parte dos criadores do Flame, de disseminar a
praga.
Para não ser detectado, o vírus identifica a presença de 100 softwares
de segurança e muda seu comportamento para que o programa de proteção
não suspeite de nenhum comportamento anormal. A praga também não se
espalha sem antes receber um comando do servidor de controle e ainda não
está claro como ela chegou até os sistemas infectados.
A sofisticação, o número restrito de alvos e a ausência de um interesse
comercial claro indicam que o Flame teria sido patrocinado por um
governo, de acordo com os especialistas, e seria, portanto, uma arma de
ciberespionagem.
Por sua vez, o governo do Irã anunciou ter produzido um vírus capaz de identificar e destruir o Flame.
Especialistas
em computação, ouvidos em diversos países, afirmam que esses fatos
demonstram claramente uma nova realidade: o mundo está ameaçado pela
ciberguerra, ou seja, a guerra virtual que paralisa computadores de uso
estratégico.
Fontes:
O globo
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